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Museus são as pontes que nos conduzem a um mundo melhor.

18 DE MAIO – DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS

MUSEUS SÃO AS PONTES QUE NOS CONDUZEM A UM MUNDO MELHOR

Museu de Arte e Cultura Saga Arashiyama
Museu de Arte e Cultura Saga Arashiyama – Poema de Izumi Shikibu. Kyoto, Japão. 2019

 

“Como em breve partirei,

deixe-me levar uma última lembrança

deste mundo comigo –

se eu puder ver você mais uma vez,

posso ver você agora?

Izumi Shikibu (Japão, cc. 976 – 1032 d.C.)

(obs.; tradução livre do autor do artigo para o português da versão em inglês)

 

Retomo as publicações no site no Dia Internacional dos Museus e abro este artigo com a poetisa japonesa Izumi Shikibu.

Apesar de escrito há mais de mil anos, traduz muito dos sentimentos e angústias que enfrentamos neste período. E escolhi este belo texto, além da força poética, pelo fato de tê-lo conhecido em um museu.

Este poema faz parte de uma antologia que integra o conjunto “cem poetas, uma poema de cada”, que compõe o acervo do Museu Saga Arashiyama de Arte e Cultura. Este incrível museu fica na cidade de Kyoto, Japão, e tive a oportunidade de conhecê-lo em 2019 quando participei da Assembléia Geral do Conselho Internacional de Museus (ICOM).   Os poemas foram gravados em pedras, ficam expostos no jardim e também são apresentados num grande painel interno.

 

Museu de Arte e Cultura Saga Arashiyama
Grande sala no piso superior do Museu de Arte Cultura Saga Arashiyama, Kyoto, Japão, 2019

O Museu também dispõe de um grande salão no piso superior, decorado com belos painéis pintados em papel apresentando a paisagem e a natureza local. Anualmente é realizado um encontro de poesia, com a participação de artistas de todo o país. Um museu cujo acervo são poemas, em um prédio belo e ao mesmo tempo frágil, com suas madeiras e tatames, nos fala da arte como o verdadeiro poder que celebra a vida. E essa mesma arte, esse conhecimento, transmite uma sensação de paz, serenidade e força, uma solidez que ampara e abre a mente para a inspiração. No museu, por conta da conservação dos pisos, havia regras para circulação e uso de sapatos especiais. Agora todos teremos que adotar procedimentos e novos modos de expor e interagir com o público, assim como as rotinas de trabalho interno.

Países da Ásia e da Europa estão lentamente retomando seus cotidianos, procurando reencontrar uma alegria possível em meio a máscaras e  álcool em gel.

No Brasil iniciamos estas conversas, procurando vislumbrar um retorno a algo que possamos chamar rotina e tratar como normalidade. É um momento de muita sensibilidade, escuta, tolerância e diálogo.

Não há como ter leveza em uma situação que nos provoca preocupação com os rumos profissionais, aflige nos recantos do lar e toca pela dor que circula sem qualquer fronteira pelo mundo.

Mas é possível, como mostra a força da poesia, ter afeto, delicadeza e sabedoria para encontrar soluções que nos façam atravessar esta fase de pouca luz.

Teremos que discutir linhas de financiamento para museus, como recompor quadros funcionais, como apoiar e consolidar museus nas mais diversas esferas pelo país. E temos que fazer isto juntos, conversando, dialogando, enfrentando as diferenças, semeando a compreensão entre as pessoas.

Finalizo com esperança, mas também com muito respeito e desejo que possam encontrar conforto todos aqueles que neste momento tão nebuloso sofrem.

Perseverando que hoje é melhor que ontem e amanhã será melhor ainda, que possamos juntos, agora, construir um maravilhoso presente.

 

Obs.: imagens realizadas pelo autor.